Testadas por ‘hackers’, urnas eletrônicas têm falhas superficiais incapazes de comprometer votação, diz TSE

Um grupo de investigadores da Polícia Federal identificou duas falhas no sistema de urnas eletrônicas durante o Teste Público de Segurança (TPS), feito pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) nesta semana. A Corte considerou essas vulnerabilidades superficiais e sem prejuízo capaz comprometer o sigilo do voto ou a segurança do processo eleitoral. A equipe trabalhará agora para sanar as falhas a tempo das eleições municipais.

A perícia para aperfeiçoar as urnas contou com 22 investigadores, divididos em cinco grupos e três investigadores individuais. Dos 13 planos de ataque apresentados, somente dois foram bem sucedidos, sob autoria de profissionais da Polícia Federal.

O secretário de Tecnologia da Informação do TSE, Giuseppe Janino, avalia que os achados vêm a contribuir para a melhoria dos processos envolvidos no sistema eletrônico de votação.

— O objetivo do TPS não é um desafio. Não estamos aqui desafiando os investigadores. Eles são nossos parceiros, na medida em que tenham um olhar mais preciso e diferenciado para achar pontos de fragilidade — disse.

A próxima fase do TPS 2019 será desempenhar um trabalho para fazer a correção das vulnerabilidades apontadas. No ano que vem, os mesmo investigadores da Polícia Federal que identificaram as falhas serão chamados a retornar ao TSE para verificar a efetividade dos reforços de segurança que serão implementados.

— O sistema vai para a eleição muito mais fortalecido — assegurou Giuseppe Janino.

A presidente do TSE, ministra Rosa Weber, afirmou ser imprescindível a colaboração da sociedade para o avanço do processo democrático e para a melhoria do sistema eleitoral como um todo. Ela lembrou que a realização do TPS auxilia a Justiça Eleitoral a manter a tecnologia implementada no sistema eletrônico de votação atualizada e imune a ferramentas que possam ser desenvolvidas para atacá-lo.

— É o momento de abertura dos sistemas de segurança ao olhar externo da comunidade científica, dos estudantes, dos partidos políticos, dos cidadãos como um todo. Um chamado para que atuem como hackers e tragam seus planos de testes, com estratégias de ataque às urnas, a fim de identificar possíveis e eventuais vulnerabilidades e falhas relacionadas à violação da integridade ou do anonimato do voto nas eleições — disse.

Giuseppe Janino lembrou também que os investigadores tentaram neste ano efetuar ataques em pontos nos quais foram detectadas vulnerabilidades nas edições anteriores, mas não obtiveram êxito desta vez.

— Esses testes mostram, efetivamente, a melhoria contínua a cada fase, a cada etapa, a cada ciclo, baseada e impulsionada pela participação popular e por esses especialistas que vêm aqui dedicar o seu tempo a trabalhar em parceria com a Justiça Eleitoral — afirmou.

O Teste Público de Segurança é um evento permanente no calendário eleitoral criado para aprimorar o processo eletrônico de votação. Realizado preferencialmente no ano anterior às eleições, traz a participação e a colaboração de especialistas na busca por problemas ou fragilidades que, uma vez identificados, serão resolvidos e testados antes da realização do pleito. Desde 2015, o evento passou, por força de resolução do Tribunal, a compor o calendário de atividades da Corte.

Fonte: Extra.globo

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