Presa quadrilha suspeita de facilitar fugas e entrada de celulares na Custódia


O Grupamento de Repressão ao Crime Organizado (Greco) deflagrou operação para desarticular uma organização criminosa que facilitava a fuga de detentos e permitia a entrada de baterias e aparelhos celulares dentro da Casa de Custódia, em Teresina. Entre os investigados está um policial militar.

“Começamos a investigação há cinco meses após a fuga de quatro assaltantes de banco da Casa de Custódia. Durante a investigação nos deparamos com essa organização criminosa responsável por articular fugas e a entrada e comercialização dentro do sistema penitenciário do Estado do Piauí”, explica o delegado Charles de Holanda, responsável pela investigação.

Os presos foram identificados como Claudio Rodrigues do Nascimento (cabo da PM), Josimar Carvalho da Silva, Ismael Ferreira da Silva, Ivoneide Ângela Silva Ribeiro (presa em Timon-MA), Paulo Silva Ribeiro (filho de Ivoneide) e Israel Alves da Silva.

Reprodução Cidadeverde.com
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Seis pessoas foram presas e quatro conduzidas coercitivamente. O delegado explica que havia semana na qual a organização criminosa lucrava cerca de R$ 5 mil.

A operação Conexão teve início às 5h, desta quinta-feira (03), e foi dividida em duas etapas paralelas. Parte da equipe deu cumprimento a mandados de prisão e o restante participou de vistoria e busca e apreensão na Custódia.

Josimar Carvalho da Silva foi apontado como o líder da quadrilha. Segundo o delegado, o suspeito teria participado da fuga de assaltantes de banco, em março deste ano, e também era o responsável por conseguir baterias, carregadores e celulares que seriam comercializados na Custódia. Ele teria cooptado o PM e também o suspeito que era encarregado de conseguir celulares, provavelmente, roubados ou furtados.

“O Josimar era o elo de ligação entre a parte de fora e dentro da penitenciária. Era ele que repassava os objetos para o Claudio que entregava aos detentos”,  acrescenta o delegado Gustavo Jung, do Greco.

Josimar- que já responde por tráfico de drogas, roubos e organização criminosa- foi preso na Vila Irmã Dulce, zona Sul de Teresina. As investigações apontaram que o suspeito tinha um bar onde funcionava um esquema de desmonte de celulares que, posteriomente, seriam levados para a Casa de Custódia.

“Ele vivia na casa onde funcionava o bar com a esposa e os dois filhos. Familiares de presos contatavam ele para articular a entrega de celulares”, disse o secretário de Segurança do Piauí, Fábio Abreu.

A mulher de Josimar- que não teve a identidade revelada- foi conduzida coercitivamente. Na residência do casal foram apreendidos celulares e baterias embaladas. O carro de Josimar, com placa do Paraná, foi apreendido. O Greco investiga se o veículo teria sido dado a Josimar como pagamento pela facilitação na fuga dos assaltantes de banco, que também eram do Estado do Paraná.

O secretário  Fábio Abreu destaca que operação semelhante ocorreu no litoral do Piauí, onde foram presos agentes penitenciários. Contudo, não há ligação com os crimes praticados no presídio de Parnaíba com a Casa de Custódia, em Teresina.

Militar envolvido

A Polícia Civil informou que o cabo Cláudio foi afastado das funções durante a apuração do esquema criminoso. Na investigação foi descoberto que ele teria participado da fuga dos assaltantes de banco que fugiram pelo telhado, em março deste ano. Além de fazer ‘vista grossa’ durante a fuga, o militar teria arremessado uma corda pela qual os detentos saíram da Custódia. Além disso, era responsável diretamente por entregar os celulares aos detentos.

O militar foi preso em casa, na Vila Irmã Dulce, zona Norte de Teresina.

Já o cabo da PM, Claudio Rodrigues, seria o encarregado de levar os eletrônicos para dentro da unidade prisional. O militar era lotado há mais de 20 anos na Casa de Custódia. Por plantão eram colocados cerca de 40 celulares.

“Eles tinham funções bem definidas dentro da organização criminosa. O valor que ganhavam era relativo. Dependia de quantos objetos conseguiam colocar dentro do presídio. Algumas vezes, conseguiam faturar  R$ 5 mil por semana ou até mais. Tudo dependia de quanto eles conseguiam comercializar. Era exatamento como um comércio: se vendessem mais, lucravam mais”, explica o delegado Charles de Holanda.

Os presos estão sendo conduzidos para a sede do Greco.

 

Fonte: Cidadeverde.com