Baterista do Blink-182 conta como corrida o salvou da depressão após acidente aéreo


“Só me preocupo em tentar sobreviver. Quero ver meus filhos, minha esposa, meu pai, minhas irmãs. Nos segundos finais da minha vida, tudo que não é importante arde em chamas. A cada passo que dou, tudo em minha vida está queimando, exceto a minha família. Estou correndo mais rápido do que sabia ser possível. Estou correndo em direção à estrada que vai me manter vivo. Estou correndo pelo amor, por meu futuro, por minha vida”. Retirada do prólogo do livro “Travis Barker: vivendo a mil, enganando a morte e batera, batera, batera”, essa declaração é um relato do próprio baterista do Blink-182 sobre o acidente grave sofrido por ele no dia 19 de setembro de 2008 e que vitimou dois pilotos e dois de seus melhores amigos, Chris “Lil Chris” Baker e Charles “Che” Still. Para sobreviver enquanto seu corpo ardia em chamas, Travis precisou correr para conseguir apagar o fogo que o consumia. Mal sabia ele que, mais tarde, a corrida salvaria sua vida mais uma vez. O esporte foi uma das coisas que ajudou a evitar que o músico de sucumbir à depressão.

– 65% do meu corpo ficou queimado, e meu pé direito por pouco não foi amputado. Os médicos disseram que eu provavelmente nunca poderia correr de novo. E que talvez não pudesse tocar bateria de novo. No minuto em que eles disseram aquilo, essas coisas se tornaram desafios para mim. Assim que reaprendi a andar no hospital, as duas primeiras coisas que queria fazer eram correr e tocar bateria – disse o baterista recentemente em uma entrevista à revista americana “Runner’s World”.

Atual formação do Blink-182 com Mark Hoppus, Matt Skiba e Travis Barker (Foto: Reprodução / Instagram)

Atual formação do Blink-182 com Mark Hoppus, Matt Skiba e Travis Barker (Foto: Reprodução / Instagram)

Naquele dia, Travis voltava para sua casa na Califórnia em um voo privado para ver seus filhos Alabama e Landon e a enteada Atiana após fazer um show na Carolina do Sul ao lado do DJ Am, com quem, na época, tinha o duo “trv$djam”. Durante a decolagem, um pneu estourou, e o piloto perdeu o controle do jatinho, que colidiu com um barranco. Com o impacto, o avião explodiu. Quatro passageiros morreram. Somente o baterista e o DJ sobreviveram. O músico do Blink-182, contudo, teve o corpo queimado gravemente. Ele passou por 27 cirurgias e por um longo período de recuperação. Am faleceu mais tarde de overdose.

O mais difícil, contudo, foi lidar com a depressão. Na época, Travis era viciado em comprimidos. Dessa forma, os medicamentos que eram dados a ele pelos médicos não funcionavam da maneira desejada. Ele precisou receber enxertos de pele e sentia dores extremas. O baterista foi descobrir bem mais tarde que havia fraturado também a coluna em três lugares diferentes. Ele chegou a pensar em suicídio inúmeras vezes e até ofereceu US$ 1 milhão para que amigos tirassem sua vida. Mas a vontade de cuidar de seus filhos, de tocar bateria e de voltar a praticar exercícios o ajudaram. O americano, hoje com 41 anos, deixou o vício de lado e, usando a corrida como ferramenta, se regenerou.

– Estava usando muitas drogas de forma recreativa antes, vivendo de maneira selvagem, um estilo de vida de estrela do rock. Quando os médicos disseram: “Você provavelmente terá que usar remédios prescritos pelo resto da vida, por conta da terrível experiência que viveu, para lidar com uma desordem de bipolaridade”, queria provar que eles estavam errados. Abandonei todas as drogas, voltei a tocar bateria, comecei a correr de novo e me tornei mais saudável que era antes do acidente aéreo – comentou ao programa de TV “The Doctors”.

Travis com seus filhos Landon e Alabama Barker (Foto: Reprodução / Instagram)

Travis com seus filhos Landon e Alabama Barker (Foto: Reprodução / Instagram)

Antes do acidente aéreo, Travis costumava malhar. A corrida entrou na sua vida quando a ex-mulher Shanna Moakler, que foi Miss Estados Unidos, deu a ele a notícia de que estava grávida. Na época, o baterista usava muitas drogas e ficou preocupado em não poder cuidar e acompanhar o crescimento do menino que a ex-esposa estava esperando. Seu primeiro filho nasceu no dia 9 de outubro de 2003 e ganhou o nome de Landon.

– Eu comecei a correr de maneira séria no dia em que soube que minha ex-esposta estava grávida do nosso filho, Landon. Eu cheguei em casa após a ida no consultório médico e fui correndo para a rodovia, que ficava a pouco mais de 6 km da nossa casa. Eu nunca tinha corrido realmente antes, mas eu passei a fazer isso todos os dias durante os meses de gestação até o nascimento dele. Eu queria ser responsável por alguém, ser um modelo. Esse foi o pontapé inicial da minha luta para ficar sempre em forma – falou o músico, que já namorou celebridades como Paris Hilton e a ring girl Arianny Celeste, do UFC.

Travis Barker com seus filhos Landon e Alabama (Foto: Reprodução / Instagram)

Travis Barker com seus filhos Landon e Alabama (Foto: Reprodução / Instagram)

Travis afirma que a corrida o ajudou a ser um pai melhor também.

– Eu amo correr. Me faz sentir como se eu pudesse conquistar qualquer coisa que vem para mim. Eu nunca estou cansado perto dos meus dois filhos. Eu devo isso à corrida.

O músico está sóbrio desde o acidente e crê que, com a corrida, tenha trocado “seus vícios ruins por vícios bons” e agora “fica entorpecido por correr”.

Me sinto mal se não correr. É como uma refeição. Eu preciso dela todos os dias. Eu não pego voos, então fico em um ônibus de 10 a 12h em um tour. Às vezes, quando o motorista para e vai colocar gasolina, eu digo: “Em que direção você está dirigindo? Vou começar a correr, então você me pega lá na frente!”. Até no estúdio, na hora em que não estou tocando, eu não posso simplesmente ficar sentado. Dizem que sentar é o novo câncer, e eu meio que concordo – Travis Barker.

Questionado sobre qual música curte ouvir quando corre, o americano surpreendeu na resposta:

– (Hoje) eu tento correr todo dia para meu “cardio”. Eu não ouço música nem nada. É minha hora de sentir a vibe e curtir o silêncio. Às pessoas ficam loucas quando digo que corro sem música, mas quando estou no estúdio eu ouço música o dia todo, então só quero me desligar.

Travis e seu amigo DJ Am, que sobreviveu ao acidente de avião, mas morreu de overdose mais tarde (Foto: Reprodução / Instagram)

Travis e seu amigo DJ Am, que sobreviveu ao acidente de avião, mas morreu de overdose mais tarde (Foto: Reprodução / Instagram)

Atualmente, além de andar de skate, um hobby que tomou conta de sua infância e adolescência, Travis Barker faz suas corridas diariamente e também pratica MMA – é grande fã do UFC e amigo de Dana White – especificamente jiu-jítsu e boxe (veja o vídeo). O baterista ficou com alguns problemas físicos, como a falta de sensibilidade na mão esquerda, e psicológicos, como o medo que o faz encarar longos dias em navios ao invés de aviões para viajar nas turnês do Blink-182 com seus companheiros Mark Hoppus e Matt Skiba – que entrou no lugar de Tom DeLonge na atual formação. A pele, severamente queimada no acidente, foi amplamente coberta por tatuagens, algumas delas até para lembrar dos amigos “Lil Chris” e “Che”, que morreram na tragédia.

Nascido em Fontana, na Califórnia, nos Estados Unidos, Travis Barker tem uma longa carreira na música. Além de seu maior sucesso, a banda Blink-182, com a qual ele lançou sete discos, o último deles chamado “California”, o músico já participou de inúmeras outras, como +44, Transplants, Box Car Racer e gravou, fez remixes, parcerias ou participações em shows com artistas de renome internacional, como Rihanna, Lil Wayne, Drake, Slash, Avril Lavigne, Eminem, Pink, T.I., Marshmello, Britney Spears, Steve Aoki e cia.

Travis Barker e o DJ Steve Aoki  (Foto: Reprodução / Instagram)

Travis Barker e o DJ Steve Aoki (Foto: Reprodução / Instagram)

Fonte: Globo Esporte