Citado na Operação Carne Fraca, Serraglio será responsável por combate à corrupção no comando da CGU


O ministro da Justiça, Osmar Serraglio, durante entrevista no Palácio do Planalto (Foto: Antonio Cruz / Agência Brasil)
O ministro da Justiça, Osmar Serraglio, durante entrevista no Palácio do Planalto (Foto: Antonio Cruz / Agência Brasil)

Nomeado pelo presidente Michel Temer para o comando do Ministério da Transparência, Fiscalização e Controladoria-Geral da União (CGU), o ministro Osmar Serraglio (PMDB-PR) foi citado e flagrado em grampo da Operação Carne Fraca, que apura um esquema de pagamento de propinas envolvendo frigoríficos e fiscais do Ministério da Agricultura. À frente da CGU, uma das principais atribuições de Serraglio será o combate à corrupção na administração pública federal.

A pasta é responsável no governo federal por ações de prevenção e combate à corrupção, auditoria pública e ampliação da transparência da gestão pública.

Osmar Serraglio deve deixar a chefia do Ministério da Justiça para assumir a cadeira de ministro da Transparência. Ele, entretanto, ainda não confirmou publicamente se aceitará mudar de endereço na Esplanada dos Ministérios ou se vai preferir retomar o mandato de deputado federal.

Para o lugar de Serraglio na Justiça o presidente da República nomeu neste domingo (28) Torquato Jardim, jurista e ex-ministro do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Ele é amigo de Temer há mais de três décadas.

O troca-troca na Esplanada dos Ministérios surpreendeu o mundo político neste fim de semana e gerou protestos de entidades ligadas à Polícia Federal (PF). Em nota divulgada poucas horas após o anúncio da mudança no primeiro escalão, a Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal (ADPF) afirma que viu com “preocupação” a dança das cadeiras no comando do Ministério da Justiça.

Imediatamente, também surgiram interpretações, em Brasília, de que a decisão de Temer de colocar Torquato no comando do Ministério da Justiça seria uma tentativa de retomar a influência sobre a PF.

Em entrevista à colunista do G1 e da GloboNews Andréia Sadi, o novo titular da Justiça afirmou que não está descartada nem mesmo a substituição do diretor-geral da PF, Leandro Daiello.

Osmar Serraglio apareceu em um dos grampos da Operação Carne Fraca. Na ligação, o agora ex-ministro da Justiça fala com um dos líderes do esquema investigado pela Polícia Federal, o ex-superintendente regional do Ministério da Agricultura no Paraná Daniel Gonçalves Filho.

Ele chama o ex-superintendente de “grande chefe” na conversa telefônica interceptada pelos agentes federais e fala sobre a ameaça de fechamento de um frigorífico.

Leia a transcrição da conversa:

Osmar Serraglio: grande chefe, tudo bom?

Daniel Gonçalves Filho: tudo bom

Osmar: viu, tá tendo um problema lá em Iporã, cê tá sabendo?

Daniel: não

Osmar: o cara lá, que… o cara que tá fiscalizando lá… apavorou o Paulo lá, disse que hoje vai fechar aquele frigorífico… botô a boca… deixou o Paulo apavorado! Mas pra fechar tem o rito, num tem? Sei lá. Como que funciona um negócio desse?

Daniel: deixa eu ver o que acontecendo… tomar pé da situação lá tá… falo com o Senhor (…)

À época em que a operação foi deflagrada, a PF informou que não havia indício de crime por parte do então ministro da Justiça.

No entanto, um ex-assessor parlamentar da Câmara afirmou à Polícia Federal que Osmar Serraglio participou da indicação de Daniel Gonçalves Filho para a chefia da superintendência paranaense do Ministério da Agricultura.

De acordo com o ex-assessor, o ex-ministro da Justiça fez parte de um grupo de sete deputados federais do Paraná ligados ao PMDB que formalizaram a indicação de Daniel Gonçalves Filho para o cargo.

Troncha disse não se lembrar a data exata da indicação, mas disse que se recorda que foi próximo ao ano de 2008. À época, Serraglio era deputado federal pelo PMDB do Paraná. O peemedebista nega ter indicado o fiscal.

Na avaliação do colunista Gérson Camarotti, Serraglio era considerado dentro do Palácio do Planalto “um ministro fraco”. De acordo com o colunista, o núcleo político próximo a Temer se queixava que o ministro não tinha influência no comando da PF e não conseguia interferir nos rumos da Lava Jato.

O presidente da República optou por Torquato por considerá-lo com personalidade suficiente para retomar o controle da Polícia Federal.

Crítico da Lava Jato

O novo ministro da Justiça já fez críticas públicas à Operação Lava Jato, que investiga o esquema de corrupção que atuava na Petrobras.

Em entrevista publicada neste domingo pelo jornal “Correio Braziliense” – antes de ser anunciada a troca de cadeiras –, Torquato Jardim ele se queixou, entre outros pontos, da amplitude do acordo de delação premiada fechado entre a Procuradoria Geral da República (PGR) com os executivos do grupo J&F, controlador do frigorífico JBS.

“Por que um procurador da República que atuava na Lava Jato aposentou-se e, no dia seguinte, tornou-se advogado dele [Joesley Batista, um dos donos da JBS]. Há outros advogados famosos que estavam na JBS e deixaram para transferir a causa. Acho que eles [PGR] devem explicar”, alfinetou o novo ministro da Justiça, referindo-se ao ex-procurador da República Marcelo Miller, um dos braços-direitos do procurador-geral da República Rodrigo Janot na Lava Jato até março que passou a atuar no escritório que negocia com os termos da leniência do grupo J&F.

Fonte: G1