Mãe tenta superar morte do caçula de 10 anos com ajuda dos filhos adotivos: ‘Eles me dão força’


A comemoração do Dia das Mães de hoje (14) vai ser uma mistura de sentimentos para a empresária Rosangela Muraro, de Sorocaba (SP). Este será o primerio ano que ela passa a data sem o filho caçula – e único biológico – Kauã, que morreu no fim de 2016, aos 10 anos, vítima de uma leucemia rara. “Quando chegar essa data… Ainda não sei como vai ser. No primeiro ano tudo vai ser ruim. Dói demais”, lamenta.

Para ajudar a enfrentar a dor da perda nesta data tão simbólica, ela conta com a alegria e a força que recebe de seus outros três filhos – todos adotivos.

“Eles me dão muita força, o tempo todo. Eu que tenho que agradecê-los por estarem comigo. Um pedaço da minha vida se foi, mas ainda tenho eles e a minha neta. A vida continua. Com muita dor, mas continua. Sou uma mãe abençoada por Deus ter me presenteado com três filhos adotivos e um anjo que passou pelas nossas vidas. O amor continua nesse laço entre nós”, afirma.

A adoção de Daniella, Rafaela e Gabriel, hoje com 28, 19 e 18 anos, aconteceu durante o primeiro casamento de Rosangela. A empresária e o marido não podiam ter filhos, mas queriam aumentar a família depois de cinco anos de relacionamento. O casal optou por entrar na fila da adoção e foi então que surgiu a primogênita, em Itu (SP).

A empresária conta que, na época, havia 150 casais na fila. A recém-nascida apresentava um quadro de icterícia e precisou ficar internada no hospital. Por causa das condições de saúde da criança, vários deles desistiram. Foi então que, com dois meses de vida, Daniella chegou ao colo da família de Sorocaba.

Rosangela ao lado das filhas adotivas Daniella (à esquerda) e Rafaella (à direita) (Foto: Rosangela Muraro/Arquivo Pessoal)

Rosangela ao lado das filhas adotivas Daniella (à esquerda) e Rafaella (à direita) (Foto: Rosangela Muraro/Arquivo Pessoal)

“Me disseram que eu não teria chance, mas quis tentar mesmo assim. Já enxergava o rosto dessa menina antes de vê-la. Quando me chamaram para ir ao hospital buscá-la, olhei nos olhos, no rosto dela e pensei: ‘exatamente como eu a imaginava'”, lembra a empresária.

Nove anos depois, o casal voltou a pensar em ter filhos e recorreu à inseminação artificial. Mas, entre a segunda e a terceira tentativas frustradas, a empresária e o marido optaram novamente pela adoção. Agora, era Rafaella que se aconchegava nos braços de Rosangela nos primeiros dias de vida, com os cabelos escuros e olhos castanhos. Em oito meses, a família cresceu novamente com a adoção de Gabriel, também recém-nascido e trazido de Minas Gerais.

A empresária e o filho Gabriel, adotado quando era recém-nascido em Minas Gerais (Foto: Rosangela Muraro/Arquivo Pessoal)

A empresária e o filho Gabriel, adotado quando era recém-nascido em Minas Gerais (Foto: Rosangela Muraro/Arquivo Pessoal)

Gravidez

Após sete anos da adoção, o casamento de Rosangela chegou ao fim e ela teve um novo relacionamento. Conseguiu engravidar e, aos 42 anos, deu à luz a Kauã na sexta-feira que antecedia o Dia das Mães.

“Ele foi totalmente programado e desejado. Meus filhos eram muito ligados, não havia amor maior. Brincavam que o Kauã era o mascotinho. A minha neta era a paixão da vida dele. Descobri que o amor pelos meus outros três não era diferente do que eu sentia por ele”, conta.

Mãe conta que Kauã tinha xodó pela sobrinha Manu, filha de Daniella (Foto: Rosangela Muraro/Arquivo Pessoal)

Mãe conta que Kauã tinha xodó pela sobrinha Manu, filha de Daniella (Foto: Rosangela Muraro/Arquivo Pessoal)

Perda

Em outubro de 2016, a harmonia da família foi interrompida pela notícia de que o menino tinha um subtipo de leucemia de linhagem ambígua, uma doença rara, cujo tratamento duraria dois anos. Kauã lutou por quase dois meses contra a doença, mas não resistiu e morreu.

“Ele tinha manchas vermelhas que apareciam e sumiam. Investigamos por 4 meses até que ele foi diagnosticado e começou a quimioterapia. Em nenhum momento se abateu. Era uma criança totalmente tranquila. Ainda não acredito [na morte dele]. Os irmãos sofreram com a perda porque não existe essa ponte, essa distância de sangue”, desabafa Rosangela.

A mãe decidiu cremar o corpo da criança e manter o quarto com todas as coisas que ela gostava. Kauã completaria 11 anos na sexta-feira (12). Apesar da dolorosa separação, para a empresária, o Dia das Mães não será tomado pelo vazio, e sim, repleto de um amor que extrapola a barreira sanguínea.

“Representam tudo pra mim, são meus filhos com certeza. Não vieram do útero, mas nasceram do coração. Eles me apoiaram tanto e nunca me abandonaram em nenhum momento. Eu que tenho que agradecê-los no Dia das Mães, cada um por estar na minha vida”, conclui Rosangela.

Carta dada pelos filhos à empresária (Foto: Rosangela Muraro/Arquivo Pessoal)

Carta dada pelos filhos à empresária (Foto: Rosangela Muraro/Arquivo Pessoal)

Fonte: G1