Guerra na Síria: da repressão a manifestações populares ao ataque americano contra Assad


Combatente da brigada Failaq al-Rahman faz disparos a partir de distrito dominado pelos rebeldes na região leste de Damasco, na Síria (Foto: Amer Almohibany / AFP)

Combatente da brigada Failaq al-Rahman faz disparos a partir de distrito dominado pelos rebeldes na região leste de Damasco, na Síria (Foto: Amer Almohibany / AFP)

O conflito sírio teve início em 15 de março de 2011 após protestos pacíficos serem reprimidos com violência. Logo, eles se transformaram em uma insurreição contra o regime do presidente Bashar al-Assad.

Com o passar do tempo, o conflito se tornou cada vez mais complexo, com o envolvimento de extremistas islâmicos e a intervenção de potências regionais e internacionais. Nesta quinta (7), os EUA, sob o comando de Donald Trump, lançaram seu primeiro ataque direto contra o regime de Bashar Al-Assad, bombardeando a base aérea de onde teria partido o ataque químico sobre uma cidade na região de Idlib.

Em seis anos, a guerra fez mais de 400 mil mortos e deslocou 4,5 milhões de pessoas, segundo estimativa da ONU. Relembre os principais fatos que levaram a Síria ao estado atual:

Revolta e repressão

Manifestantes enterram vítimas da repressão policial na cidade síria de Deraa, em 2011 (Foto: AP )

Manifestantes enterram vítimas da repressão policial na cidade síria de Deraa, em 2011 (Foto: AP )

  • 15/3/2011 – Manifestações por “uma Síria sem tirania” são reprimidas violentamente na capital e em Deraa, berço da rebelião no sul do país. O regime denuncia uma “rebelião armada de grupos salafistas”.
  • 23/3/2011 – Repressão em Deraa deixa pelo menos 100 mortos, segundo testemunhas e ativistas de direitos humanos. Os protestos haviam começado com a prisão de estudantes suspeitos de terem feito pichações.
  • Abril de 2011 – Os protestos se estendem e se radicalizam, com apelos à queda do regime de Bashar Al-Assad, cuja família governa o país com mão de ferro há 40 anos.
  • Julho de 2011 – Um coronel refugiado na Turquia cria o Exército Sírio Livre (ESL), formado principalmente por civis e desertores. Grupos de tendência islamita aderam à rebelião.

A aviação, âncora do regime

Carro atingido por bombardeio em Aleppo, segunda principal cidade síria, nesta segunda-feira (1º) (Foto: AP )

Carro atingido por bombardeio em Aleppo, segunda principal cidade síria, nesta segunda-feira (1º) (Foto: AP )

  • 1/3/2012 – O exército toma o bairro de Baba Amr, reduto da rebelião em Homs (centro), após um mês de conflitos e bombardeios. Organizações não governamentais dizem que há centenas de mortos.
  • 17/7/2012 – O Exército Sírio Livre ataca Damasco. O governo mantém o controle da capital, mas algumas periferias passam ao controle dos rebeldes.
  • Agosto de 2012 – Entram em ação as armas pesadas, entre elas aviões de bombardeios.
  • 2013 – Helicópteros e aviões do regime passam a lançar explosivos contra os bairros rebeldes no país.

Irã e Hezbollah no jogo

  • 14/2/2013 – Os Guardiões da Revolução, força de elite do regime iraniano, acusam rebeldes sírios de matarem um de seus comandantes. O chefe dos Guardiões já havia admitido, em setembro, que tinha enviado “assessores” militares à Síria.
  • Abril de 2013 – O chefe do Hezbollah libanês, aliado do Irã, reconhece o envolvimento de seus combatentes ao lado do regime. O Irã xiita é o principal aliado do regime de Assad.

Armas químicas

  • Agosto de 2013 – O regime de Assad ataca duas zonas controladas pelos rebeldes, perto de Damasco. A oposição e os países ocidentais acusam o regime de ter feito centenas de vítimas com gases tóxicos. Os Estados Unidos falam em ao menos 1.429 mortos, incluindo 426 crianças.
  • Setembro de 2013 – Um acordo entre Rússia e Estados Unidos para desmantelar o arsenal químico sírio antes de meados de 2014 freia um iminente bombardeio norte-americano em resposta aos ataques com gases tóxicos.

Crescimento dos extremistas islâmicos

Jihadistas do Estado Islâmico exibem suas armas e bandeiras do grupo em comboio em uma estrada de Raqqa, na Síria, em maio de 2015 (Foto: Militant website via AP)

Jihadistas do Estado Islâmico exibem suas armas e bandeiras do grupo em comboio em uma estrada de Raqqa, na Síria, em maio de 2015 (Foto: Militant website via AP)

  • 2013 – Extremistas islâmicos, principalmente da Frente al-Nusra (posteriormente rebatizada de Fateh al-Sham), reforçaram sua presença no norte.
  • 2014 – O grupo extremista Estado Islâmico (EI) assume o controle de vastas regiões no norte da Síria, o que diminui a força dos rebeldes. Raqqa se torna reduto do EI.

Ataques internacionais

  • Setembro de 2014 – Barack Obama forma uma coalizão internacional contra o EI.
  • 2015 – Os curdos da Síria, que desde 2013 estabeleceram uma administração autônoma em zonas do norte do país, assumem o controle de regiões estratégicas que estavam nas mãos do Exército Islâmico, incluindo Kobane. A ação foi feita pela força da coalizão, liderada pelos Estados Unidos.

Moscou socorre Damasco

Mulheres caminham em rua de Aleppo no dia 9 de março de 2017 diante de poster dos presidentes da Síria, Bashar al-Assad, e Rússia, Vladimir Putin; controle da cidade foi retomado em dezembro de 2016 (Foto: JOSEPH EID / AFP)

Mulheres caminham em rua de Aleppo no dia 9 de março de 2017 diante de poster dos presidentes da Síria, Bashar al-Assad, e Rússia, Vladimir Putin; controle da cidade foi retomado em dezembro de 2016 (Foto: JOSEPH EID / AFP)

  • 30/9/2015 – A Rússia inicia uma campanha de ataques aéreos contra grupos terroristas, incluindo o Estado Islâmico. Mas os rebeldes e o Ocidente acusam Moscou de atacar os grupos rebeldes não-terroristas, principalmente os moderados. Esses ataques ajudam o regime, então em grande dificuldades, a recuperar terreno.

Intervenção turca

  • 24/10/2016 – A Turquia, que apoia a rebelião, lança uma operação do outro lado de sua fronteira para expulsar o Estado Islâmico e as milícias curdas.

Retomada de Aleppo

Sírio dirige em meio a escombro de prédios no bairro de Aghiour, em Aleppo (Foto: Joseph Eid/AFP)

Sírio dirige em meio a escombro de prédios no bairro de Aghiour, em Aleppo (Foto: Joseph Eid/AFP)

  • 22/12/2016 – Após um cerco sufocante aos bairros rebeldes de Aleppo e uma ofensiva devastadora, o regime reassume o controle total da segunda maior cidade do país. Milhares de rebeldes e civis são evacuados sob um acordo patrocinado pelo Irã, Rússia e Turquia.
  • 30/12/2016 – Um cessar-fogo entra em vigor em virtude de um acordo russo-turco, sem os Estados Unidos.

Radicais pressionados

  • Novembro de 2016 – Raqqa, principal reduto do Estado Islâmico na Síria, passa a ser visado por uma ofensiva das Forças Democráticas Sírias (FDS), uma aliança curdo-árabe apoiada pelos EUA. A Turquia, hostil aos curdos, opõem-se à retomada de Raqqa pelas forças. O regime sírio também anuncia que a retomada de Raqqa é sua prioridade.

Novo ataque químico

Homem socorre criança após ataque químico em Idlib, no norte da Síria, nesta terça-feira (4)  (Foto: Edlib Media Center, via AP)

Homem socorre criança após ataque químico em Idlib, no norte da Síria, nesta terça-feira (4) (Foto: Edlib Media Center, via AP)

Resposta americana

Embaixadora americana na ONU, Nikki Haley, exibe fotos de vítimas de ataque químico na Síria (Foto: Bebeto Matthews/AP)

Embaixadora americana na ONU, Nikki Haley, exibe fotos de vítimas de ataque químico na Síria (Foto: Bebeto Matthews/AP)

 (Foto: Arte G1)

(Foto: Arte G1)

*Com informações da France Presse.

Fonte: G1