Em o filme “A Bela e a Fera”, um desafio inédito nas cenas: dar vida a objetos


Os atores do novo filme falam como foi o processo de interpretar espanador, guarda-roupa e relógio

Para a sua adaptação de A Bela e a Fera, clássica animação da Disney de 1991, o diretor Bill Condon recorreu a atores de peso, a começar por Emma Watson no papel principal. Mas boa parte desse elenco estelar foi, na verdade, escalada para viver objetos animados, antigos funcionários do castelo da Fera transformados por uma maldição contra o Príncipe arrogante, aqui vivido por Dan Stevens. Assim, o valete Lumière vira um candelabro (com voz de Ewan McGregor), e sua grande paixão, a faxineira Plumette, transforma-se em espanador (Gugu Mbatha-Raw).

O valete Lumière como candelabro (com voz de Ewan McGregor), mordomo Horloge como relógio (Sir Ian McKellen) e o músico Cadenza como um cravo (Stanley Tucci) (Foto:Divulgação)

O mordomo torna-se Horloge, o relógio (feito por Sir Ian McKellen), a governanta Madame Samovar vira um bule de chá (com voz de Emma Thompson), e seu filho Zip, uma xícara (Nathan Mack). Na nova versão, até quem se apresentava no palácio é enfeitiçado, como o músico Cadenza (Stanley Tucci), que vira um cravo, e a cantora lírica Madame de Garderobe (Audra McDonald), que se torna um guarda-roupa.

A transformação já era parte da animação, mas lá todos os personagens só existiram na cabine de gravação de voz, inclusive a Bela e a Fera. Aqui, os atores passaram por um processo um pouco diferente. “A nossa proposta para o filme inteiro era tudo parecer real. Não havia razão para refazer esta história se fosse tudo igual à animação”, disse Bill Condon em entrevista ao site de VEJA, em Los Angeles.

Primeiro, os atores que interpretam objetos foram ao estúdio de gravação, onde sua voz e também suas expressões faciais foram registradas. “Quando estava fazendo o trabalho de dublagem, precisava abordar de maneira diferente porque tinha de me imaginar como objeto”, contou Audra McDonald, vencedora de seis prêmios Tony, o Oscar do teatro. Condon ia dando dicas sobre o momento vivido pela Madame de Garderobe. “Por exemplo: ‘Agora, ela está caindo no sono’. Eu precisava fazer com que os roncos parecessem grandes e pesados como uma peça de mobiliário de madeira”, disse a atriz.

Era um desafio oposto ao da inglesa Gugu Mbatha-Raw, conhecida pelo episódio San Junipero, da última temporada da série Black Mirror. “Nossa Plumette é diferente da animação, aquela parecia mais um esfregão, a nossa é mais leve, toda branca, quase como uma pomba ou uma pavoa”, disse a atriz. “Isso foi muito inspirador para mim, tentei incorporar esse visual na voz, colocar essa noção de leveza na sua risada e no seu sotaque, aquele flerte brincalhão que tem com Lumière. Às vezes, quando estava cansada ou precisando de inspiração, batia meus braços, como se fossem asas, para ter a sensação de voar”, completou, rindo. Mbatha-Raw passou por um treinamento junto com Ewan McGregor para falar inglês com sotaque francês.

O filme aprofunda um pouco mais os relacionamentos entre os personagens e dá uma espiada em sua vida no passado, com a ajuda de uma nova música, Days in the Sun, composta por Alan Menken (autor da trilha original em parceria com Howard Ashman, que morreu antes da estreia do filme em 1991) e Tim Rice. “A Madame Samovar, por exemplo, é uma figura extremamente calorosa, mas, porque ela basicamente era a babá, sente-se culpada pela forma como fechou os olhos para o que estava acontecendo durante a infância do príncipe, quando ele se transformou em quem é hoje”, afirmou Condon. “De certa maneira, ela não o protegeu o suficiente. Essa é uma nuance que não poderia existir em uma animação.”

Fonte: Terra