Caso Fernanda Lages: Promotor Regis assume lugar de Ubiraci e constata “processo parado na prateleira”


Regis Marinho admitiu, inclusive, que analisou todo o Caso Fernanda Lages e iria dar seguimento, mas Ubiraci Rocha retomou e pediu por novas diligências

O promotor Regis Marinho, da 15ª Promotoria de Justiça do Ministério Público Estadual do Piauí (MPE-PI), confirmou em entrevista ao OitoMeia, que esteve a frente do Caso Fernanda Lages na ausência do promotor Ubiraci Rocha, e chegou analisar o que chamou de “processo parado na prateleira do MP”.

Regis admitiu, inclusive, que analisou todo o Caso Fernanda Lages e constatou que não havia diligências a serem feitas. Ubiraci estava viajando, de licença. Isso ocorreu no fim do ano passado e início deste ano. O promotor, no entanto, nega que tenha demonstrado interesse por assumir o Caso Fernanda Lages.

Promotor Regis confirma que assumiu  o caso temporariamente, enquanto Ubiraci estava de férias (Foto: Reprodução / Montagem)

Segundo Regis, foi o MPE que o designou para ficar a frente do caso na ausência de Ubiraci. “Quando assumi as férias do Ubiraci, tive a titularidade plena de todos os processos dele, inclusive o de Fernanda Lages, já há muito tempo parado na prateleira da promotoria da 14ª. Ele foi todo examinado e estudado por mim”, revelou o promotor.

Regis, no entanto, disse que não iria revelar detalhes do que viu no processo. “Eu prefiro sigilo sobre o meu exame, até porque o colega [Ubiraci] diz que vai fazer diligências. E se ele tem diligências, é porque ele ainda tem suspeitas, então eu não posso fornecer nenhum juízo de valor sobre o que eu estudei”, ressaltou, informando que Ubiraci retomou o caso e pediu por novas diligências. O OitoMeia confirmou a informação, como mostra o documento abaixo.

Documento do dia 13 de fevereiro pede por novas diligências (Foto: Reprodução)

O documento mostra pedido de diligências junto ao 5º Distrito Policial, que cobre a região onde Fernanda Lages foi encontrada morta. Ubiraci Rocha foi quem solicitou, como informou Regis Marinho. Ele chegou de viagem e pegou o Caso Fernanda Lages de volta. “Eu iria dar seguimento , mas fui informado que o Ubiraci retornou e iria requerer umas diligências. Devolvi o processo para a primeira vara com todos os volumes e apêndices para que o promotor faça essas novas diligências”.

Como o Ubiraci voltou a ser o titular do caso, o promotor Regis informa que não tem mais nenhuma participação no processo e enfatizou: “O processo Fernanda Lages não é do Ubiraci, é do Ministério Público. Quem responde é o Ministério Público”. Questionado se poderia assumir de vez por todas o caso, ele disse que não pode ser descartado, desde que o procurador-geral de Justiça o designe como responsável pelo caso.

Ao lado de Eliardo, Ubiraci disse por várias vezes que há um assassino para o Caso Fernanda Lages (Foto: Reprodução)

UBIRACI ROCHA NÃO FALA SOBRE O CASO
A reportagem voltou a entrar em contato com o promotor Ubiraci Rocha. Ele não atendeu nenhuma das ligações e nem respondeu mensagens de Whatsapp, embora tenha visualizado. O OitoMeia gostaria que ele respondesse se há um prazo, já que o Caso Fernanda Lages vai completar, em agosto de 2017, seis anos, e que novas diligências são essas. No MP, a assessoria disse que não vai se posicionar e que somente Ubiraci Rocha fala sobre o caso Fernanda Lages.

Em janeiro deste ano o OitoMeia publicou matéria especial onde mostrou que o promotor Ubiraci, antes aliado ao promotor Eliardo Cabral, hoje aposentado, por várias vezes disse que há sim um assassino no caso da jovem estudante de Direito encontrada morta no prédio em obras do Ministério Público, localizado na avenida João XXIII, zona leste de Teresina, em 25 de agosto de 2011. Os dois falavam, inclusive, na existência de um “figurão da sociedade que calçava sapato tamanho 42”. Até hoje nunca foi revelado nomes, apesar de as falas dos promotores terem levantado suspeitas sobre algumas pessoas.