Três meses depois, Marcela Temer não participou de nenhuma reunião do Criança Feliz


O governo diz que ainda está implementando a ação que visa atender quatro milhões de crianças. Até o momento, 679 municípios se inscreveram.

Após três meses do lançamento, o programa Criança Feliz, encabeçado pela primeira dama Marcela Temer, conseguiu até agora a adesão de 679 prefeituras – 12% dos municípios brasileiros. Em relação à meta traçada para o ano que vem, de atender 2.785 cidades, as inscrições correspondem a 24%.

No entanto, das cinco reuniões já realizadas para definir as diretrizes do Criança Feliz, Marcela Temer não participou de nenhuma. De acordo com o Ministério do Desenvolvimento Social e Agrário, responsável por gerir o projeto, Marcela se encontra periodicamente com o ministro Osmar Terra.

Mas na agenda oficial dele não constam encontros com a primeira-dama. A única agenda pública dos dois juntos até aqui foi no dia 16 de novembro – uma visita a um hospital de Brasília, referência no tratamento de crianças com problemas neuromotores.

O programa consiste em dar assistência a crianças carentes nos primeiros 3 anos de vida, período vital para o desenvolvimento das funções cognitivas. O alvo são as quatro milhões de famílias que têm meninos e meninas nessa faixa etária e estão inscritas no Bolsa Família.

Para 2017, a meta é atender um milhão de crianças. Em 2016, nenhuma foi atendida – segundo o governo, porque o Criança Feliz ainda está em fase de implementação. Os municípios interessados em aderir têm até o dia 10 de fevereiro.

O projeto foi uma das poucas ações de Michel Temer na área social. Marcela foi escalada para ser a embaixadora, responsável pela divulgação, promoção de eventos e reuniões com gestores estaduais e municipais. Na única vez que falou sobre o programa, no dia do lançamento, em outubro, Marcela fez um discurso em tom emocional.

A verba destinada ao Criança Feliz para o ano que vem é de R$ 300 milhões. Boa parte vai para o treinamento e pagamento dos cerca de 15 mil visitadores que serão contratados para ir às residências verificar as condições de saúde das crianças.

Não serão, necessariamente, profissionais da área de saúde. A única exigência é que tenham o ensino médio completo e passem por um treinamento para assimilar as recomendações sobre os cuidados na primeira infância.

A expectativa do governo é que as primeiras visitas aconteçam em março. Mas para a implementação ser concluída, será necessária a formação de comitês gestores em cada município que aderir ao projeto.