Os acenos de Michel Temer


Na véspera da virada do ano, o presidente Michel Temer fez acenos para três áreas que representam apoios importantes para seu governo: nesta quinta-feira (29), ele disse que seu governo será “reformista” e incluiu a reforma tributária na agenda, o que agrada ao setor econômico; e autorizou a liberação de R$ 3,7 bilhões para pagamento de emendas parlamentares, um agrado relevante para a base parlamentar no Congresso.

Antes disso, ele já havia tomado medidas para agradar a sociedade, como a liberação do FGTS de contas inativas, o que pode beneficiar mais de 10 milhões de trabalhadores. E, nesta quinta, foi feito o anúncio do reajuste do salário mínimo que, a partir de domingo, passa a ser de R$ 937,00.

Especialistas dizem que a população tende a ter um olhar mais positivo no período de festas de fim de ano. Isso somado a boas notícias de ações de governo pode ajudar o ambiente geral. O desafio de Temer, contudo, é atravessar o primeiro semestre de 2017, um período em que a previsão é de muita turbulência, até que os primeiros sinais de recuperação da economia comecem a aparecer.

Nestes seis primeiros meses de 2017, muitas notícias negativas, como a homologação da delação premiada da Odebrecht e o parecer do ministro Hermann Benjamin sobre o financiamento da chapa Dilma-Temer, que pode gerar pedido de cassação da chapa completa.

A aprovação do governo Temer é bastante baixa – de apenas 13%, segundo a pesquisa Ibope deste mês de dezembro. Mas, segundo auxiliares, Temer não tem a pretensão de ampliar muito isso de uma só vez.

A estratégia do governo é manter manter o diálogo com o Congresso e aprofundar as reformas, como deseja o setor econômico, sem se esquecer de fazer acenos à população. Com isso, espera conquistar apoio popular, tal como aconteceu com Itamar Franco que, igualmente, cumpriu mandato de apenas dois anos, após o impeachment de Fernando Collor.