Vale tem lucro 43% menor no 2º tri por desastre da Samarco


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Foto: Editoria Globo

Vale, maior produtora global de minério de ferro, anunciou nesta quinta-feira (28/07) um lucro líquido de R$ 3,585 bilhões, queda de 30% na comparação com o mesmo período do ano passado, impactado principalmente por uma provisão anunciada na véspera de R$ 3,733 bilhões relacionada ao rompimento de uma barragem da Samarco, sua joint venture com a BHP Billiton, no ano passado. Na comparação com o primeiro trimestre de 2016, a queda foi de 43%.

O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) ajustado somou R$ 8,341 bilhões, alta de 22% ante o mesmo período do ano passado, diante de maiores vendas de minério de ferro.

Na moeda norte-americana, o lucro líquido no segundo trimestre somou US$ 1,106 bilhão, levemente acima do valor médio esperado por analistas, de cerca de US$ 1 bilhão, de acordo com uma pesquisa realizada pela Reuters.

A Vale informou que a receita líquida totalizou 23,203 bilhões no segundo trimestre, alta de 8% ante o mesmo período de 2015, em meio a maiores volumes de venda de finos de minério de ferro.

Segundo a companhia, o volume de minério de ferro (finos) vendido somou 72,678 milhões de toneladas, ante 67,230 milhões no mesmo período do ano passado.

A empresa afirmou que o preço realizado de finos de minério de ferro (CFR/FOB) atingiu US$ 48,30 /t no 2º trimestre, ante US$ 50,44/t no mesmo período do ano passado, mas ficou acima dos US$ 46,50/tonelada do primeiro trimestre.

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Distrito de Bento Rodrigues, atingido por rompimento de barragem da mineradora Samarco em Mariana (MG). A imagem foi feita em 6 de novembro de 2015 (Foto: Ricardo Moraes/Reuters)
Distrito de Bento Rodrigues, atingido por rompimento de barragem da mineradora Samarco em Mariana (MG). A imagem foi feita em 6 de novembro de 2015. Foto: Ricardo Moraes/Reuters.

A provisão relacionada à Samarco, joint venture da Vale com a BHP Billiton que impactou o lucro líquido, foi anunciada em momento em que a empresa já “não consegue estimar com segurança o tempo e a forma com que as operações” na região de Mariana (MG) serão retomadas, devido a dificuldades no processo de licenciamento.

A Vale disse ainda que “a atual avaliação da Samarco aponta que a retomada das operações em 2016 é altamente improvável” –inicialmente esperava-se que a empresa voltasse a operar ainda este ano.

O desastre com a barragem de rejeitos da Samarco, no ano passado, provocou a morte de 19 pessoas, sendo considerado o pior desastre ambiental do país.

A Vale, Samarco e BHP firmaram um acordo bilionário com o governo para reparações, mas sua homologação está suspensa pela Justiça.
Mas a Vale explicou também nesta quinta-feira que, tendo em vista as dificuldades de caixa da Samarco, é provável que seus acionistas sejam chamados a cumprir com obrigações, e, portanto, a Vale estima contribuir em torno de US$ 150 milhões para uma fundação neste emestre, que serão deduzidos do valor provisionado de R$ 3,7 bilhões.

Fonte: Época Negócios