Relator afirma que Cunha agia para beneficiar Odebrech


Autor: Mírian Gomes

Delator cita ligações estreitas entre Cunha e Odebrech. Foto: DCM
Delator cita ligações estreitas entre Cunha e Odebrech. Foto: DCM

As palavras que Fábio Cleto, ex-presidente da Caixa, relevaram aos investigadores da Lava Jato, que o deputado afastado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), solicitava apoio para “praticamente todas as operações” de interesse da Odebrech. Cleto disse ainda que Cunha e a empreiteira mantinham “bastante proximidade”.

Ele afirmou em delação premiada ter recebido propina de Eduardo Cunha no montante de R$ 42 milhões. O dinheiro ilícito seria relacionado à obra Porto Maravilha, maior intervenção urbanística do Rio de Janeiro para os Jogos Olímpicos de 2016. A obra era realizada pelo consórcio formado pela OAS, Odebrech e Carioca Engenharia.

Fábio Cleto teria confirmado ainda que o total da vantagem indevida no empreendimento seria de R$ 52 milhões, dividida em 36 parcelas.

Ainda conforme delação do ex-executivo da Caixa, Eduardo Cunha chegou a “relatar que tinha sido uma negociação difícil com as empreiteiras”, visto que estas argumentavam já terem feito pagamento de propina antes, ainda referente a esse mesmo projeto. Segundo o delator, a celeridade exigida por Cunha para aprovar projetos que envolviam a Odebrech, empreiteira esta que também teria pago propina no projeto Aquapolo, uma parceria com a empresa paulista de saneamento – Sabesp.

Sobre as acusações resultantes das delações, Eduardo Cunha nega beneficiamento de empresas e disse que os relatos de Fábio Cleto são “histórias fantasiosas”. A Odebrech não se manifestou sobre o assunto.

*Com informações da coluna Poder – Folha de São Paulo