Mírian Gomes

www: a globalização mais voraz da humanidade


E então já se passaram 24 anos. Prestes a completar 25, sua publicação revolucionou a maneira do mundo se comunicar. Foi no dia 06 de agosto de 1991. De lá pra cá quanta coisa mudou.

A ideia do autor era permitir que os profissionais do local em que ele trabalhava pudessem trocar informações cientificas através de seus próprios computadores. A página, aparentemente simples, também serviu como demonstração de hipermídia e hipertextos para a internet.

Estamos falando do primeiro site World Wide Web (o famoso www), desenvolvido por Tim Bernes-Lee. Mal sabia ele que deu o combustível para um dos mais vorazes mecanismos de globalização que a humanidade já viu.

Primeiro site World Wide Web ainda hoje está no ar

Primeiro site World Wide Web ainda hoje está no ar. Foto: Reprodução Web.

Os experimentos on line de Bernes-Lee deram possibilidade ao funcionamento dos mais diversos sites da internet. Hoje não dá pra imaginar nossas vidas sem essas páginas on line – também chamadas de portais – que se espalharam mundo afora divididos em inúmeras categorias, e que, diariamente, nos bombardeiam com as mais distintas informações: sites de compra, de venda, de entretenimento, humor, empresarial, governamental, entre outros.

Uma dessas categorias, porém, se sobressai: os sites de notícias. Massivamente acessados, ocupam hoje na cabeça das pessoas o lugar que já foi da revista, do jornal, do rádio e da TV. Ainda é a novidade que traz novidades. Porém, assim como aconteceu com as outras mídias, haverá um momento em que os conhecidos portais terão de se reinventar.

Saturação?

Passados 25 anos, seria pertinente indagarmos sobre os rumos que os sites de notícias tomaram, mesmo estando estes em idade tão tenra? Não estariam os formatos, rotinas de produção e resultados finais todos engessados?

O que o leitor deseja encontrar em um site de notícias? O que procura? Em que acredita? Quais são os perfis dos leitores?

Não é difícil constatar a crescente utilização de sensacionalismo nas matérias produzidas e publicadas para essa mídia on line. Na desesperada busca pelos acessos (que equivalem ao ibope da televisão), muitos tem oferecido conteúdos sensacionalistas e apelativos.

Informe Piauí
O famoso www (World Wide Web) revolucionou os sites até então existentes na década de 90 e transformou o mundo on line. Foto: Reprodução Web.

Em muitos casos chegam até a distorcer fatos e informações, deixando em segundo plano a ética, a responsabilidade e o compromisso com a verossimilhança dos fatos, e dando espaço privilegiado apenas para a quantidade de acessos diários e mensais.

Violência, criminalidade e sexualidade estão cada vez mais em destaque. Em alguns sites, basta que se abra a página para ver o sangue ‘escorrer’ tela abaixo, a ponto de o leitor desistir e fechar a página, triste e abatido e desestimulado por aquele recorte pequeno no monitor, que nada mais é que uma representação ínfima da variedade de informações que poderiam virar notícia, mas que não chegam até ele, tornando o pequeno e limitado recorte uma das poucas representações da realidade a que tem acesso on line, visto que as mesmas manchetes se multiplicam na maioria dos sites.

 E neste ponto chegamos aos critérios de noticiabilidade, à relevância do fato que vai se transformar em notícia.

Não estariam estes critérios defasados e saturados? Esse é o assunto que vamos analisar em nossa próxima postagem.

Ah! E seja muito bem-vind@ ao Informe Piauí e a esta coluna. Porque podemos escrever, produzir, indagar, responder, analisar, buscar, publicar. Porém, sem você, caro leitor, nada disso faria sentido. Sem você, caro leitor, a imprensa não é nada.